20081127

Ajude Santa Catarina

O mês de novembro de 2008 ficará tristemente marcado na história de Santa Catarina, estado da região sul do Brasil. Chuvas intensas e duradouras trouxeram do céu, além de muita água, o desespero, o desamparo e a perplexidade. Cidades do vetor leste como Blumenau, Joinville, Itajaí e mesmo a capital Florianópolis e várias outras, registram pessoas desaparecidas, vidas perdidas, imóveis destruídos, famílias desabrigadas.

Nossos irmãos catarinenses necessitam principalmente de alimentos, água e produtos de higiene. Para fazer chegar as doações até Santa Catarina, as empresas e pessoas físicas podem ligar para o Departamento Estadual de Defesa Civil do Estado, através do número (48) 4009-9885.

Outro modo de prestar socorro é através dos depósitos bancários em nome da pessoa jurídica Fundo Estadual da Defesa Civil cujo CNPJ é 04.426.883/0001-57. Anote as contas para doações:

Caixa Econômica Federal: Agência 1277, operação 006, conta 80.000-8

Banco do Brasil: Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7

Besc: Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0

Bradesco S/A: 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1

Estes dados - contas, CNPJ e telefone - tiveram como fonte o Portal G1. Muito cuidado ao receber e-mails solicitando doações, pois eles podem conter informações incorretas. Caso você tenha um site, blog ou perfil de rede social, fica a sugestão para reproduzir este conteúdo.

Atenciosamente,
Jean Tosetto
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20081124

2008 ainda não terminou

Eram módicos 1% de chance de ser campeão até quase o início do jogo contra o Ipatinga. Mas quando Edmundo isolou uma bola que não costumava perder, deixando o São Paulo sair de São Januário com a vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, restou ao Palmeiras entrar em campo formalmente pela disputa de uma vaga para a Libertadores de 2009. Para tanto, precisava vencer um adversário frágil, pois os concorrentes diretos pelo mesmo objetivo, Cruzeiro e Flamengo, se enfrentaram no Mineirão com placar favorável à raposa: 3 a 2.

Com as arquibancadas ocupadas com pouco menos da metade de sua capacidade, o Parque Antártica viu um jogo morno, com um técnico abatido e claramente desmotivado, sendo abraçado por Kleber logo após estufar as redes do oponente. O saldo positivo da rodada ficou por conta de Pierre, que marcou o segundo gol do prélio, sendo também o seu segundo gol na temporada e com a camisa palestrina. Os 2 a 0 foram suficientes para promover o Verdão ao quarto lugar na tabela, faltando duas rodadas para o fim do campeonato.

O título não vem mais este ano, e os jogadores e a comissão técnica pedem férias, mas o período ainda não acabou. Como um aluno que ficou de recuperação, o Palmeiras ainda precisa se esforçar para não perder o semestre, sabendo que levará para 2009 algumas "dependências". O time depende da contratação de reforços para o elenco - sem isso até o campeonato paulista ficará difícil. A longo prazo, está na hora de investir mais nas categorias de base, para depender menos de parcerias e patrocinadores para montar - e manter - um grupo forte.

Para não repetir os insucessos de 2007 e 2008, quando a poucas rodadas do final o time caiu de produção vertiginosamente, o Palestra Itália precisa abdicar de torneios paralelos, ou seguir o exemplo de equipes bem sucedidas, que escalam os jogadores mais jovens para estas disputas. O Boca Juniors por exemplo: não venceu a Copa Sul-Americana, é verdade, mas seus jogadores ganharam experiência e alguns deles podem ser promovidos ao time titular nos torneios que mais interessarem no ano que vem.

É complicado manter o entusiasmo quando as coisas não vão bem, porém a comunidade alviverde precisará de todo o empenho para começar melhor a próxima temporada. O papel da torcida, na arquibancada, será fundamental contra o Botafogo, na última rodada. Mas será contra o Vitória, na Bahia, que o Palmeiras precisará mostrar seu poder de superação. Mancini, o técnico deles, já mostrou que tem potencial para ocupar o banco de um grande time de São Paulo... vide a goleada por 4 a 2 aplicada sobre o Grêmio, clube que o dispensou meses antes, sem razões concretas.
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20081116

O esgotamento de um modelo

Perder para o Flamengo no Maracanã pode até ser considerado um resultado normal, mesmo para um time grande como o Palmeiras. Mas quando o resultado é elástico - 5 a 2 - e acompanhado de um contexto de declínio no rendimento do grupo no segundo semestre, então é o momento para refletir sobre alguns aspectos.

Se o placar está apertado, com possibilidades de empatar a partida, o que se espera de um jogador na hora de bater um escanteio? Que ele lance a bola na pequena área para um bom cabeçeador tentar completar para o gol. Ele pode também buscar alguém no primeiro pau que vá desviar a jogada para alguém surpreender a zaga adversária vindo da marca do pênalti. Parece óbvio. O que causa irritação no torcedor do Palmeiras é ver o elemento sair com um toque rasteiro e curto para um companheiro que vai rifar a bola.

O jogo se complica no segundo tempo, mas ainda há chances de buscar um pontinho. O Flamengo se fecha no meio, recuando o sistema defensivo. O melhor caminho é forçar todos os ataques em linha reta para a meta de Bruno? Não necessariamente, existem alternativas mais produtivas, como buscar a linha de fundo e tentar cruzamentos. Qualquer time da segunda divisão do campeonato inglês sabe disso. No entanto, Denílson e Elder Granja ficaram no banco.

Falta na proximidade da meia lua. Aí o palestrino já desanima: quem é o batedor de faltas do Palmeiras? A bola previsivelmente acerta a barreira. Até então não há razão para ficar irado, afinal de contas, nada que um treinamento costumeiro não resolva. Fundamentos elementares do futebol devem ser praticados independentemente do calendário esportivo. Marteladas devem ocorrer no início da temporada, durante e ao final. Somente com isso os pregos desaparecem nas tabelas.

Numa equipe com milhões de torcedores - muitos dos quais dariam tudo para calçar as chuteiras e entrar em campo - o que não dá para admitir é a apatia de boa parte do elenco. Não cabe citar nomes, porém esses profissionais do futebol deveriam compreender que é um imenso privilégio jogar no Palmeiras. Não há espaço, no mundo competitivo da atualidade, para aqueles que entram no gramado e assistem os outros correrem atrás da bola. Zagueiro do Palestra não pode esconder os braços nas costas e com passadas largas ir recuando até a situação ficar crítica.

Os tentos do Flamengo, principalmente no segundo tempo, eram todos cantados: "ihhh, vai sair gol..." Que moleza de partida: Ibson, Obina e Marcelinho Paraíba fizeram a festa. Fabio Luciano também participou. De nada adiantaram as investidas de Kleber e os chutes pouco inspirados de Alex Mineiro. A bola parecia pesada para os alviverdes. Será que é falta de preparo físico? Não pode ser. O que está havendo é o anticlimax de um time que chegou no campeonato para disputar o título e corre o risco de ficar fora da Taça Libertadores.

Pensando bem, é até melhor não disputar uma competição internacional nestas condições. Times paraguaios, argentinos e uruguaios - só para ficar nos mais tradicionais - disputam uma partida com muito mais força de vontade. Não se incute tal sentimento numa equipe apenas com discurso - pode funcionar nos primeiros meses, mas logo vem os conflitos com base na fogueira das vaidades. Logicamente não é fácil administrar um grupo heterogêneo de jogadores, como acontece em todos os times - por isso, as vezes, deve-se fazer o simples: treinar quieto.

Com toda bronca que toma conta do torcedor do Palmeiras quando seu time joga mal, não se pode perder a esportiva. Trata-se de um conceito tão batido quanto válido. Saguão de aeroporto não é lugar de protesto. Muros de propriedades alheias também não. O torcedor deve ser manifestar principalmente nas arquibancadas. Primeiramente apoiando o time, e se o resultado não vem, cabe uma vaia no final do jogo e até uma faixa de ponta-cabeça. O torcedor pode se manifestar também na Internet, nas páginas interativas dedicadas ao clube. Mas quando chega a segunda-feira, é cabeça erguida e cada um cuidando de seus assuntos.
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20081114

Paixão de quatro gerações

O Palestra Itália, fundado em 1914, vira Palmeiras em 1942, carregando também a bandeira do Brasil.

A história de minha família está entrelaçada com a trajetória do Verdão. Explico: não sou apenas um palmeirense do interior, sou filho de palmeirense do interior, neto de palestrino que virou palmeirense no interior, e bisneto de italiano que veio para o interior do Brasil e se tornou palestrino. Portanto, são décadas de herança cultural.

Como palmeirense do interior, vi o Palmeiras no estádio em poucas oportunidades. Mas sempre acompanhei suas partidas pelo rádio e pela televisão. Em 2007 o Palmeiras completa 93 anos e isto me faz lembrar do ano de 1993. Eu tinha 17 anos de idade. O Palmeiras estava numa fila de 17 anos sem ganhar títulos importantes.

A final do campeonato paulista foi contra o Corinthians. No primeiro jogo 1 a 0 para os adversários. Foi uma das semanas mais angustiantes da minha juventude, agravada pelos anos seguidos esperando pelo momento mágico de ser campeão pela primeira vez. Parecia que ficaríamos mais uma volta em torno do Sol sem nos livrar daquele peso.

Vesti a camisa verde várias vezes naquele período e com ela suportei todas as provocações dos torcedores de outros times. Apesar da apreensão, estava confiante. Finalmente o dia do jogo decisivo chegou. Sentei-ma na sala de casa com meu irmão mais velho e meu pai. Minha mãe ficou na cozinha com a irmã caçula, pois até hoje são corintianas, as pobrezinhas.

O placar em branco estava se arrastando, judiando do coração palestrino de meu pai. Andando de um lado para outro, entre a cortina da janela e a porta do vestíbulo, quando resolveu ir para a varanda tomar ar fresco. Neste momento Zinho fez o primeiro gol do Palmeiras! Poucas vezes escutei meu pai correndo e gritando, para então formar um abraço triplo inesquecível.

Foi um alívio momentâneo. Logo a inquietação retornou para o colo de todos e meu pai ausentou-se novamente do recinto: 2 a 0 Palmeiras! Não preciso dizer que logo pedimos para o pai sair da sala mais vezes e, acreditem ou não, daqueles quatro gols antológicos meu pai só viu o de Evair, cobrando pênalti já na prorrogação.

Era o fim de uma longa espera e o começo de uma festa cuja intensidade nunca mais alcancei novamente, nem quando o Brasil venceu as Copas de 1994 e 2002, nem quando o próprio Palmeiras veio a ganhar a Libertadores de 1999. Talvez pelo fato de nenhum destes campeonatos terem sido precedidos por tanta vontade acumulada de ser campeão.

Meu irmão pegou o carro e seguimos para o centro da cidade, de onde partiram muitos palmeirenses numa carreata tão extensa quanto animada. As rádios reprisavam a narração dos gols da partida, nas vozes memoráveis de Osmar Santos e Fiore Gigliotti. Nunca o bordão "crepúsculo de jogo...fecham-se as cortinas do espetáculo" foi ouvido com tamanha felicidade.

Apoiado sobre a janela lateral do carro, estendi a bandeira do Palmeiras entre os braços abertos e os punhos cerrados, usando uma camisa de manga comprida número 9, que tremulava com a brisa que os céus sopravam nos vencedores. Tive a certeza naquele momento, do que meu filho, quando nascer, será palmeirense.

Nestes 93 anos de glórias do eterno Palestra, a minha gratidão por ser mais um torcedor do Palmeiras. Do interior sim, mas muito perto do sentimento verde e branco.

Texto de Jean Tosetto, publicado originalmente no site do Ponto Verde - loja de produtos oficiais do Palmeiras. O texto foi um dos três premiados na promoção cultural de aniversário do clube.

Você escreve

O blog Palestra Palmeiras foi criado com o objetivo de dar voz à paixão dos torcedores alviverdes. Conte aqui sobre seu jogo inesquecível ou sobre seu jogador favorito. Demonstre seu entusiasmo pelo Verdão e deixe o seu recado - sua colaboração será bem vinda pois dentro do futebol o assunto é livre. Para enviar um texto basta clicar aqui.

Confira quem já palestrou no PP:

Rogério Novaes - O Marketing, dentro e fora das quatro linhas

Jean Tosetto - Paixão de quatro gerações


Nota: não serão aceitos escritos em desacordo com a política de conteúdo do Blogger.

20081111

Marcos: o baluarte de uma era

Tem muita gente criticando o goleiro Marcos, que no jogo contra o Grêmio pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro subiu ao ataque quatro vezes, com a primeira investida faltando mais de quinze minutos para acabar a partida. O jogo estava 1 a 0 para os gaúchos numa bola aparentemente defensável.

A questão não é saber se Marcos falhou ou não no gol sofrido. A zaga ficou plantada na área e não ajudou em nada na situação. Pouco importa se faltam atributos para o goleiro tentar fazer com os pés um resultado que seus companheiros estavam longe de atingir. O fato é que foi emocionante ver a camisa azul marinho número 12 - por coincidência o número que identifica a torcida para um time: o décimo segundo jogador - avançando ao sistema defensivo dos tricolores sulistas. Marcos jogou para a torcida? Não. Marcos jogou para o Palmeiras mesmo.

Contrariando às ordens de Vanderlei Luxemburgo - o técnico ultraprofissional, Marcos deixou transparecer um conflito no qual a bandeira que carrega dificilmente sairá vitoriosa. Marcos defende o amor à camisa. Luxemburgo defende o profissionalismo acima de tudo. Marcos é herdeiro e representante dos tempos românticos do futebol. Luxemburgo é o porta voz da modernidade baseada na política de resultados, que alias ele - de forma muito competente - ajudou a estabelecer.

Ninguém questiona a capacidade de Luxemburgo. Ele e sua equipe são realmente um exemplo a ser seguido em vários aspectos. Mas o futebol está carente de vários Marcos. Estamos tetemunhando o ocaso de um jogador que deixará muita saudade, não só na torcida do Palmeiras. Além de ser excelente debaixo do gol, Marcos se recusa a ser moldado pelos discursos mecânicos e pré estabelecidos por assessores de imprensa, psicólogos, diretores de clube e parceiros comerciais.

O problema é que muitos jogadores estão carregando para os gramados esse jeito burocrático e sem tempero de se comportar. Vários boleiros de hoje não choram uma derrota, não vibram com a torcida e não cobram empenho de seus companheiros. Boa parte da imprensa considera isso normal e este conceito deve prevalecer cada vez mais. Deste modo se multiplicam os esportistas que beijam mais de quinze escudos ao longo da carreira, mediante quatorze transferências vantajosas para incontáveis empresários.

A derrota do Palmeiras para o Grêmio fez diminuir consideravelmente as chances do Verdão chegar ao título. Quem planeja o futebol pela ótica dos resultados pode considerar isso como um grande prejuízo. Mas com certeza muitos garotos que assistiram o Marcos disparar ao ataque, e ainda estavam em dúvida se torceriam pelo Palmeiras ou não, certamente se decidiram pelo manto esmeraldino. Esse é um tipo de "lucro" difícil de mensurar.

Ao visitar a grande área do adversário, Marcos deu um recado que não precisou ser verbalizado nos microfones dos jornalistas, antes de descer para os vestiários: futebol se joga com paixão.
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