20090618

Nacional 0 x 0 Palmeiras

Eles treinam num campo de futebol com alambrados de eucaliptos pintados de branco, com vista para um terreno baldio repleto de entulho. Eles moram num país cuja população cabe na zona norte de São Paulo. Eles fizeram um gol na casa do adversário... Nós tempos um centro de treinamento equipado de acordo com padrões internacionais. Nossa torcida é mais numerosa do que boa parte do cone sul da América Latina. Mas não tinha ninguém para empurrar uma bola para o fundo das redes no Estádio Centenário.

Parabéns aos uruguaios. Não temos do que reclamar deles. Fizeram cera e catimba como obviamente qualquer equipe nas condições deles faria. Acontece que temos um centroavante especializado em emendar bolas de primeira. E só. Ele não cabeceia, não faz assistências, não busca jogo no meio de campo, não dribla, não cobra faltas. E ainda dizem que é uma promessa. Logicamente ele não joga sozinho, mas o estoque de salvadores da pátria palestrina se esgotou depois de mais uma etapa mostrando absoluta irregularidade num torneio internacional de poucas partidas.

Agora restou o Brasileirão 2009. A última chance de conquistar um título importante nesta fraca década inicial do século XXI. A camisa está cada vez mais bonita. O discurso dos cartolas cada vez mais elaborado. A torcida não pára de acreditar. Mas o time dentro de campo não passa mais a impressão de que pode resolver uma partida. Toda virada é considerada um fato heróico, quando deveria ser tratada como um fato corriqueiro.

Mas palmeirense que é palmeirense tira tudo isso de letra. Seu orgulho não é pautado por termos como "projeto, planejamento, branding, marketing, blá, blá, blá..." A paixão que cerca o Palestra tem mais a ver com representar com dignidade a força de uma coletividade. Gente que trabalha e não esquece de suas raízes. Quando seu time ganha comemora, mas quando perde não desanima. Bola pra frente Verdão.
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